Panorama e Políticas de Combate: Zika – Posicionamento Oficial

Data: 4 de Maio de 2016

A International Federation of Medical Students’ Associations of Brazil – Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina do Brasil (IFMSA Brazil) manifesta-se através de seus Comitês Permanentes em Saúde Pública, Saúde Sexual e Reprodutiva, Direitos Humanos e Paz, e Educação Médica, sobre o atual panorama do vírus Zika e o surto de microcefalia em território brasileiro.

O vírus Zika foi isolado em 1947, na Uganda, considerado endêmico no leste e oeste do continente africano. Nas Américas, foi identificado na Ilha de Páscoa, no início de 2014. Hoje é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da Dengue e da Chikungunya. Evidências são apontadas relacionando a importação do Zika ao Brasil à alta mobilidade internacional, acentuada em eventos de grande abrangência, como a própria Copa do Mundo de 2014, sediada no país.

Apesar do antigo conhecimento do vírus, os casos de infecção só ganharam notoriedade no segundo semestre de 2015 no Brasil, em meio a uma epidemia de Dengue (1,5 milhões de casos registrados), quando o vírus foi associado a casos de recém-nascidos com microcefalia em razão de uma forte associação geográfica, epidemiológica e temporal. Apesar disso, diversos estudos ainda estão sendo realizados a fim de confirmar esta hipótese.

O debate sobre epidemias e sobre o vírus Zika necessita de grande atenção em razão da alta complexidade que o tema possui. A IFMSA Brazil acredita que questões como a falta de saneamento básico adequado, no que diz respeito à coleta de lixo precária, falta de higiene em espaços públicos e tratamento de água adequada para consumo; as mudanças climáticas, que alteram o manejo de água em diversos estados do país, além de intimamente ligadas ao processo de desmatamento e transferência do vetor ao meio urbano; e a falta de atenção e ensino em saúde às populações mais vulneráveis, são fatores diretamente favoráveis à reprodução do Aedes aegypti.

Preocupa-nos também outras questões envolvidas nesta temática: o alarmismo oferecido por meios de comunicação oportunistas ao desespero de muitos brasileiros; o compartilhamento de informações falaciosas sobre o Zika e a microcefalia, que impedem um debate adequado; a priorização do Estado brasileiro na eliminação do mosquito a curto prazo, sem novos modelos de controle vetorial e resolução dos problemas ambientais a longo prazo; ou mesmo a ausência de espaço para discussão sobre o aborto seguro em casos de microcefalia em meio a uma agenda extremamente conservadora do país.

A prevenção de epidemias e o controle de doenças só podem ser realizados de maneira adequada quando plenamente estruturados dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Como investimento do Estado, devem-se focar esforços na produção de vacinas; em estudos para melhor conhecimento da doença; na regulamentação adequada do compartilhamento de material genético; em parcerias para o uso e fornecimento de tecnologias de pesquisa integrada, sempre levando em consideração a Saúde Global; no controle da propagação de Aedes, frisando a destruição de criadouros e na resolução dos problemas socioambientais atuais; e na educação popular em saúde, sempre acreditando na população e em sua atuação como liderança social na promoção da saúde.

Nós, como estudantes de medicina, colocamo-nos na linha de frente no combate de epidemias, atuando na promoção de educação médica adequada; na criação de fóruns e discussões à população em geral a fim de conscientização da temática; na realização de projetos e atividades locais, regionais e até nacionais em prol da educação popular em saúde; e na cobrança das universidades no ensejo de um currículo voltado aos princípios básicos de saúde pública, educação médica e direitos humanos.

A IFMSA Brazil, atuando como entidade representativa dos estudantes de medicina e como instituição promotora de saúde, se coloca à disposição das organizações de saúde para elaboração de ações e políticas locais e nacionais na luta contra a doença e a favor da população brasileira.

The International Federation of Medical Students’ Associations of Brazil (IFMSA Brazil) expresses itself through the Standing Committees on Public Health, Sexual and Reproductive Health, Human Rights and Peace, and Medical Education about the current situation of the Zika virus and the surge of microcephaly in the Brazilian territory.

The Zika virus was isolated in 1947, in Uganda, considered endemic in the east and west of the African continent. In the Americas, it was identified in the Easter Island, in the beginning of 2014. Today, the virus is transmitted by the bite of the mosquito Aedes aegypti, the same one that transmits “Dengue” and “Chikungunya”. It is believed that the high international mobility, during the 2014 World Cup and other major events, resulted in the introduction of Zika virus in Brazil.

Despite the initial knowledge about the virus, the infection cases in Brazil only obtained prominence in the second half of 2015, during a Dengue epidemic (1.5 million cases registered), when the virus became associated with cases of newborns with microcephaly because of a strong geographic, epidemiological and time association. In spite of that, lots studies are being conducted to confirm that hypothesis.

The debate on epidemics and Zika virus needs a lot of attention considering the high complexity of the subject. IFMSA Brazil believes that issues like the lack of proper basic sanitation, also poor garbage collecting, lack of hygiene in public places, and treatment of water that is inadequate for drinking; the climate changes, that modify how the water is managed, besides being very connected with deforestation and the mosquito transition to the urban area; the lack of attention and education in public health to the most vulnerable population; those factors act in favor of the Aedes aegypti reproduction.

Other issues also concern us like the big attention that was given by an opportunist media resulting in the desperation of many Brazilians; false information being shared about Zika and microcephaly, which restrains a valid debate; the Brazilian government most concerned about eliminating the mosquito for a short-term, without new ways of controlling the vector of the disease and solving the environmental issues in long-term; or even the absence of a platform for the discussion about safe abortion in case of microcephaly due to an extremely conservatory agenda in the country.

The epidemic prevention and the disease control can only be done in a proper way when there is an adequate structure in the national public health system (SUS). As an investment by the Government, vaccines should be done; more studies to help the disease comprehension should be promoted; proper regulation about sharing genetic material; partnerships for use and supply of integrated research technology, always keeping in mind Global Health; controlling the spread of Aedes, keeping in mind the habitat destruction and resolution of current environmental issues; and the promotion of public health education, always believing in population and in their role as leaders of welfare promotion.

We, as medical students, put ourselves in the front line of the epidemic combat, acting to promote and adequate medical education; creating forums and discussions to the general population in order to achieve awareness about the subject; by making local, regional and even national projects and activities in favor of popular education in health; and making sure that universities develop their curricula related on basic public health, medical education and human rights.

IFMSA Brazil, as representative organization of Brazilian medical students and health promoter, puts itself available to health organizations in order to create local and national actions and develop policies against the disease and in favor of the national population.